Expansão do Aeródromo de Cascais: Impactos ambientais e ruído em debate

Expansão do Aeródromo de Cascais: Impactos ambientais e ruído em debate

A expansão do Aeródromo de Cascais, em Tires, está a gerar preocupações significativas devido ao impacto ambiental e ao ruído que afeta a qualidade de vida dos cerca de 60 mil habitantes da freguesia de São Domingos de Rana. Atualmente, o aeródromo regista elevados níveis de ruído, com medições que apontam picos de 85 a 93 dBA durante descolagens e 80 a 87 dBA em aterragens, valores considerados nocivos para a saúde pública.

Segundo dados da Cascais Dinâmica, em 2023 foram realizados cerca de 47 mil movimentos de aeronaves, incluindo um aumento de 17% nos voos de táxi aéreo, que utilizam frequentemente aviões a jato, mais ruidosos do que os aviões de pequenas dimensões. Apesar da deslocalização parcial de escolas de pilotagem, os voos rasantes continuam a ser frequentes, com uma média de quatro por hora sobre zonas densamente habitadas.

A situação ganhou relevância com a recomendação da transferência de voos executivos do Aeroporto Humberto Delgado para o Aeródromo de Cascais. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já indicou que a ampliação prevista da pista, atualmente com 1.400 metros, exige uma Avaliação de Impacte Ambiental (AIA), uma vez que ultrapassará os 1.500 metros.

A associação ambiental ZERO alerta para os riscos cumulativos da intensificação do tráfego de jatos privados e considera essencial implementar medidas de mitigação, como o isolamento acústico das habitações e outras infraestruturas sensíveis. A organização defende ainda que a concessão do aeródromo, planeada para um período de 50 anos, deve prever possíveis mudanças no uso da infraestrutura após a abertura do Novo Aeroporto de Lisboa e o encerramento do Humberto Delgado.

Com o concurso público de concessão marcado para março e a operação da nova gestão prevista para 2026, a expansão do aeródromo promete continuar a ser um tema sensível para a comunidade local e ambientalistas.

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